Prefeituras de MG vítimas de golpe cibernético fecham acordo com a Caixa

Banco vai restituir dinheiro desviado com correção. Prefeito de Monte Sião comemorou decisão e disse que estava sendo acusado de desviar recursos da cidade

Dez prefeituras de Minas Gerais que foram vítimas de um esquema de fraude eletrônica firmaram, nesta terça-feira (27), um acordo com a Caixa Econômica Federal para o ressarcimento dos recursos desviados de suas contas bancárias. Ao todo, cerca de R$ 12,5 milhões serão devolvidos aos municípios afetados.

O acordo foi celebrado durante audiência realizada no Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) da Justiça Federal, em Belo Horizonte, e contou com a participação de prefeitos e representantes das administrações municipais de Carmópolis de Minas, Serro, Ribeirão Vermelho, Presidente Juscelino, São José do Goiabal, Felixlândia, Luz, Monte Sião, Mateus Leme e Cabeceira Grande.

Entre os beneficiados está o município de Monte Sião, no Sul de Minas. Segundo o prefeito Juninho Zucato (União Brasil), a cidade terá restituídos aproximadamente R$ 5,7 milhões, com atualização monetária baseada na taxa básica de juros.

O prefeito afirmou que o acordo representa não apenas a recuperação dos recursos públicos, mas também o encerramento de um período de desgaste pessoal e institucional. Segundo ele, após o golpe, chegou a enfrentar acusações injustas e disse que sua família também foi afetada pelas suspeitas levantadas na época.

De acordo com Zucato, o mesmo modelo de acordo foi firmado para todos os municípios envolvidos. Em Monte Sião, os criminosos realizaram 54 transferências bancárias distribuídas em 14 contas da prefeitura, em um curto intervalo de tempo e fora do horário habitual de movimentações financeiras.

Ainda conforme o prefeito, os fraudadores utilizaram informações sigilosas da administração municipal e se passaram por funcionários da Caixa para obter acesso às contas. Após a invasão, os valores foram utilizados para pagamento de boletos e realização de compras.

Depois do ocorrido, as prefeituras recorreram à Justiça alegando falhas nos mecanismos de segurança da instituição financeira. O caso também foi acompanhado pelo Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) e discutido em audiência na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

As negociações que resultaram no acordo contaram com a mediação da Justiça Federal, além do apoio do TCE-MG e da Associação Mineira de Municípios (AMM).

Enquanto isso, a Polícia Federal continua investigando o esquema criminoso. O inquérito tramita sob sigilo, mas informações repassadas por representantes dos municípios indicam que as apurações estão avançadas. Uma das principais linhas de investigação aponta que os responsáveis possam integrar uma organização criminosa com atuação no estado do Ceará, para onde parte dos recursos desviados teria sido transferida.

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